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Dia da Escola: escola “do futuro” coloca o estudante no centro da experiência de ensino

Escola em todo lugar

Escola “do futuro” coloca o estudante no centro da experiência de ensino e transforma vários espaços em ambientes potenciais de aprendizagem

 

Aulas gravadas e transmitidas online. O horário de estudo é menos aquele determinado pela escola e mais aquele em que os estudantes acessam o ambiente virtual de aprendizagem. Já o local pode ser tanto uma sala de aula, um laboratório de ciências ou até o transporte público, com a aula sendo reproduzida no fone de ouvido. Bem vindo à escola do futuro: nela, o protagonista é o estudante e a sua maneira própria de construir conhecimento.  

No Dia da Escola, comemorado em 15 de março, a professora Ana Lília Figueiredo Teles de Menezes, que integra a diretoria do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado do Maranhão (Sinepe/MA) explica, em mais detalhes, as principais mudanças no papel da escola e as perspectivas para os próximos anos.

 

O papel da escola sofreu mudanças ao longo dos anos. Quais foram as principais?

Ao longo da história, a gente percebe que antes existia uma ênfase muito grande em decorar as coisas. Depois, o mais importante passou a ser a cópia: o professor era o detentor do saber, copiava tudo no quadro e aquele aluno que copiava até a vírgula do professor é que era considerado bem-sucedido.

Antes as escolas tinham que preparar o aluno para ingressar na faculdade. Esta deveria prepará-lo para o mercado de trabalho, onde ele iria se realizar profissional e financeiramente. Só que hoje é preciso investir em outras coisas além disso, como educação bilíngue, competências socioemocionais e outras habilidades exigidas do aluno do século 21. Hoje, trabalhamos com a ideia do professor como mediador e conciliador, já que o papel da escola deixou de ser apenas acadêmico e passou a ser de formação para a vida.

 

O que impulsionou essas mudanças? A pandemia acelerou esse processo?

As transformações da educação foram muito impulsionadas pela evolução da tecnologia e, com certeza, acentuadas pela pandemia. Uma mudança importante foi em relação ao local de estudo. Antes, as pessoas costumavam pensar que o ambiente de sala de aula era o único lugar em que se aprendia. Hoje conseguimos aprender fora desse espaço e acompanhar aulas até mesmo se locomovendo, estudando não só no lugar que quisermos, mas no tempo que tivermos disponível. As aulas online e gravadas permitiram isso.

Com isso, o centro da atividade escolar passou a ser cada vez mais o aluno, que traz a sua própria demanda para o processo de aprendizagem. Hoje, eles conseguem pegar uma aula na internet para aprender sobre qualquer assunto que tenham interesse, independente do conteúdo exigido pelo Ministério da Educação. O modelo tradicional não funciona mais com esses estudantes, que ficam entediados com a experiência tradicional e buscam não só alguém que se comunique na linguagem deles, mas um conhecimento que esteja disponível na hora em que eles precisarem.

 

As transformações alcançam também a grade curricular da escola. Quais as principais mudanças entre os conteúdos ensinados para as gerações anteriores e os que são trabalhados agora?

Antes, os alunos terminavam o Ensino Médio e não sabiam nada sobre questões importantes e necessárias para a vida, como Imposto de Renda ou transações bancárias. Hoje esses são temas abordados em aulas de educação financeira, trabalhando melhor os alunos para que eles saiam da escola melhor preparados para a vida.

Outro ponto muito importante são as habilidades socioemocionais, que hoje são indispensáveis para o sucesso. Mais do que transmitir conhecimento, a experiência escolar precisa preparar o aluno para conquistar respostas, enfrentar desafios e superar dificuldades. Tudo isso em um formato de vanguarda, usando ferramentas que motivem o aluno a estudar, aliadas a entretenimento, gamificação e outras metodologias que de fato interessem ao estudante. Nesse contexto, o Novo Ensino Médio, por exemplo, trouxe muitas ideias inovadoras.

 

Quais as perspectivas para o futuro? É possível prever qual papel a escola vai ocupar nas próximas gerações?

Hoje trabalhamos com um futuro que ainda é muito incerto. Isso requer muita visão. Se pensarmos, por exemplo, nas crianças que hoje estão na primeira etapa do Ensino Fundamental, a tendência é que elas trabalhem em profissões que nem foram criadas ainda. Como pensar o papel da escola considerando essas questões? O importante, no momento atual, é garantir que a experiência escolar seja um momento de desenvolver competências socioemocionais e fomentar, nos alunos, as condições para que eles não só estudem, mas também desenvolvam o seu próprio conhecimento, em diversas áreas.